Juatinga

Ponta da Anchovas

A Reserva Ecológica da Juatinga que faz parte da Àrea de Proteção (APA) Ambiental de Cairuçu fica em Paraty, é composta por 63 ilhas e tem 34.690,72 ha. A região tem muita história, aquelas de poder e dinheiro que tenta comprar tudo o que pode, na década de 70 antes de ser uma APA o Condomínio Laranjeiras tirou todos os caiçaras de suas praias e “deu” um lote para as famílias na porta do condomínio onde é a Vila do Oratório, hoje limitam o acesso deles ao pier para que possam cuidar de seus próprios barcos. Em 2010 a “Casa do Coreano” na praia do Cruzeiro foi implodida com 20 kilos de dinamite, após mais de 10 anos de batalha judicial desde quando começou a construir dentro da APA, há outras ações em processo para acabar com outras casas de luxo por lá, incluindo a “Casa do Vampiros”. Entre essas e outras um dia desses o Seu Maneco recebeu um carta dizendo que a terra que mora desde a época de seu Avô, o Senhor Martim de Sá que deu nome ao lugar, tinha um dono que não era a família dele. O seu Maneco recebeu ajuda dos jovens frequentadores do local conseguiu ganhar a ação. Todas essas são histórias que fazem parte da Reserva da Juatinga, muita gente lutando e segurando a barra por lá para deixar esse paraíso intocado para nós.

A minha história com a Travessia da Juatinga e uma longa história de amor, amor não correspondido, alguém já passou por isso?

A primeira vez que ouvi falar da cachoeira do Saco Bravo foi em 2010 por uma foto no Facebook de uma amiga de Rio de Janeiro e de repente num feriado qualquer em 2012 eu estava pesquisando lugares para ir e descobri a travessia da Juatinga num post dos Mochileiros.com e nessa travessia estava a Cachoeira do Saco Bravo, não consegui visitar a cachoeira na minha primeira tentativa por causa da chuva, mas isso não me desanimou. Desde então já fui 4 vezes e todas elas foram uma aventura diferente da outra, duas delas foram a travessia do Saco do Mamanguá até Laranjeiras com chuva. Uma vez só fiz o Saco do Mamanguá e o Pão de Açúcar e outra vez a praia do Sono e a Cachoeira do Saco Bravo com tempo ótimo.

Indicação de barcos para fazer a passagem do Saco do Mamanguá

Da primeira vez eu não sabia muito bem como fazer porque faltavam informações, mesmo assim fiquei toda animada para a travessia, sai de Curitiba com chuva mas na torcida de que o tempo firmasse. Cheguei em Paraty com o tempo mais aberto, não sabia muito as coordenas mas sabia tinha que pegar o ônibus para Parati-Mirim para poder começar a travessia. Há várias opções: uma trilha que dá no quase fim do Saco do Mamanguá, outra trilha na praia de Parati Mirim, de uma forma ou de outra você tem que cruzar a montanha, do outro lado há várias casas espalhadas pela margem do Saco do Mamanguá e muitas delas possuem algum tipo de embarcação que podem atravessar você do outro lado, outra alternativa um pouco mais cara porém mais rápida é pegar um barco na praia de Parati Mirim para a Praia do Cruzeiro ou a qualquer outra praia onde deseje começar a trilha.

A Praia do Cruzeiro é um lugar especial, tem alguns restaurantes simples que oferecem prato feito, lugar para acampar e algumas outras casas oferecem quartos para você ficar com um pouco mais de conforto. A praia é perfeita, água cor de esmeralda, não tem ondas pois está bem abrigada do mar e é dessa praia que você faz a trilha para o Pão de Açúcar. A trilha é leve e rápida, cerca de 1 hora e tem uma vista lindíssima para o único Fiorde brasileiro, Fiorde é quando a entrada do mar está entre montanhas. Dá para ficar um tempo lá em cima sentado na laje de pedra contemplando a paisagem. Dá para ficar na Praia do Cruzeiro por alguns dias se o objetivo for descansar. É possível fazer caminhadas para algumas outras praias próximas como a Praia do Engenho, para o Manguezal ou apenas ficar por ali de “varde”. Se o objetivo for fazer a travessia é melhor não demorar e seguir adiante em direção a praia do Engenho.

A árvore gigante na Praia do Engenho

A Praia do Engenho é linda, a trilha até ela saindo da praia do Cruzeiro é de 3,7 km, menos de 2 horas, bem sinalizada, grande parte dela é calçada, como há muitas casas de veraneio, digo mansões, mesmo que se você erre a trilha você acaba achando alguém para te colocar de volta no caminho. Há uma árvore gigante cercada de uns bancos improvisados que dá até para tirar um cochilo, essa árvore faz a Praia do Engenho ser mais que especial.

Cachoeira Cajaíba

Há vários lugares para camping e pouso na Praia Grande da Cajaíba. Já acampei lá uma vez, um menino viu eu descendo a trilha e foi correndo me buscar para ficar no acampamento da avó dele, o camping era bem simples e sem muita estrutura. Tem uma cachoeira bem próximo a comunidade que vale a pena conhecer. Nunca em nenhuma das minhas empreitadas eu segui para a Ponta da Juatinga onde tem o Farol, talvez quando tiver tempo bom e eu com mais tempo aceite o desafio, se for até o Farol tem que fazer a trilha da Praia da Sumaca e seguir em frente. É uma pernada e tanto.

Seguindo a trilha irá passar pelas lindas e pouco povoada praias de Itaóca, Calhaus, Itanema e Pouso da Cajaíba na Ponta das Galhetas. A Praia da Sumaca embora seja considerado por muitos uma das mais lindas da Juatinga fica fora de mão, tem que descer a trilha principal entre a Ponta da Galheta e Martins de Sá. Ficando há 3 horas de Pouso da Cajaíba e 2 horas de Martim de Sá. O seu Manequinho é o guardião da Praia da Sumaca e oferece prato feito e vende refrigerante e cerveja aos visitantes.

A praia de Martins de Sá é o próximo local onde tem ótimas, aliás as melhores instalações para camping com cozinha, quartos, restaurante e até um mercadinho. Aqui é onde o lendário Seu Maneco toma conta da praia, da natureza de Deus. Os campistas vão em peso para lá nos feriados, ele é bem severo na sua propriedade e não permite música alta nem bebidas. Geralmente ele te avistava de longe e vinha correndo abrir o portão da sua propriedade para a gente passar, da última vez que passei por lá ele tinha ido a cidade, havia amputado a perna por complicações com a diabetes, porém sua filha estava tomando conta do local e esperando por notícias do pai.

Mais duas horas de trilha cruzando a próxima montanha é onde fica a propriedade do irmão de Seu Maneco o Seu Aprígio em Cairuçu das Pedras, na Ponta das Enxovas. O camping de seu Aprígio já saiu numa dessas listas de lugares imperdíveis para acampar. Sua casa fica bem no alto, tendo o mar como quintal e a área de camping tem uma vista privilegiada. Na minha segunda visita a Seu Aprígio vi que sua casa de pau a pique estava sendo substituída por uma de tijolos e ali na praia seu genro havia construído uma piscina de pedra e cimento, tirou um pouco da naturalidade do local mas adicionou muito entretenimento para as crianças da família.

Da Praia de Cairuçu das Pedras até a Praia de Ponta Negra é uma grande pernada, cerca de 4 horas dá até vontade desistir é uma subida que não tem fim seguido de uma descida sem fim. Ponta Negra é uma comunidade desenvolvida, há barcos frequentes saindo do Pier do condomínio de Laranjeiras para lá e vice e versa. Há vários restaurantes beira bar, pousadinhas e camping.

É de Ponta Negra que sai a trilha para a lindíssima e exótica Cachoeira do Saco Bravo, uma trilha de aproximadamente 2 1/2 horas, há várias indicações para o começo da trilha e se tiver dúvidas pergunte. O acesso final a cachoeira é um pouco difícil porque não tem um caminho demarcado, você chega lá passando por pedras muitas pedras, tem até uma pedra que faz sombra tipo uma caverninha, a cachoeira do Saco Bravo é a única cachoeira que visitei até hoje que as suas águas correm direto ao mar e enquanto você estiver se divertindo na piscina que é formada na queda da água com a rocha você fica observando o mar lá no infinito.

Cachoeira do Saco Bravo

De Ponta Negra a trilha segue para as praias desertas de Galhetas, Antiguinho e Antigos, essa praias são maravilhosas mas é proibido acampar nelas. O próximo lugar com uma estrutura é a praia do Sono, é possível achar local para acampar, comer, barcos e até mesmo alguns locais já oferecem estrutura de pousada. A Praia do Sono é uma praia bem longa e linda mas como possui fácil acesso ela recebe muitos visitantes, muitos deles chegam a praia pela trilha que é curta, embora seja só 1 km de trilha ela pode durar de 40 minutos até 1 hora, dependendo do ritmo e de quantas paradas para fotos irá fazer, ela é larga e bem acessível já que foram colocados uns deckes de madeira então fica fácil para crianças e idosos chegarem a ela além de ter barcos o tempo todo saindo do condomínio Laranjeiras. A entrada da trilha fica do lado da parada de ônibus.

A travessia pode ser feita tanto do Saco do Mamanguá x Praia do Sono ou ao contrário, para qualquer um dos casos é bom deixar o carro em Paraty e considerar o transporte coletivo. A empresa que faz o transporte em todo o município de Paraty é a Colitur, é bom ter a grade de horários gravado no celular porque nem sempre você terá acesso a internet. Clique aqui para obter o link de horário da Colitur.

Umas das coisas mais versáteis dessa travessia é que você pode simplesmente abortar a qualquer momento. O acesso à barco é viável de qualquer comunidade, claro que se você estiver muito longe do seu destino final o barco fica mais caro. Você pode pular alguma praia ou cortar caminho é só pegar um barco na comunidade local.

Chuva à vista

Se não quiser ou não tiver equipamento para camping é bem fácil arranjar alojamento, comida e refrigerantes pelos vilarejos onde passar sem precisar ter que carregar as tralhas.

Das duas vezes que fiz a travessia duas delas choveu. Ainda tenho esperança de fazer ela com tempo bom e ir parando em todas as praias pelo caminho. Na primeira vez a chuva era muito forte, inclusive na última noite choveu o tempo todo, dormi super mal só não estava com o equipamento molhado porque o Seu Aprígio me deixou dormir num abrigado, não tinha como pegar barco pois o mar estava revolto, deu trabalho para cruzar os rios que estavam transbordando. Foi uma das poucas vezes que achei que deveria ter ficado em casa dormindo. Na segunda tentativa havia uma chuva fina desde Pouso de Cajaíba até a tarde do outro dia.

Pier Condomínio Laranjeiras

Quando cheguei a Ponta Negra a chuvinha ainda continuava, não tive dúvidas contratei um barco, o barqueiro adiantou que custaria caro por estar só, mas me cobrou R$ 50,00 (out/19), o que para mim foi barato diante do cenário.

O mar estava bem agitado, as ondas levavam o barquinho lá emcima e depois o soltava no mar novamente, eu olhava para o barqueiro e ele parecia que estava num cenário diferente do meu. O pier que os caiçaras usam é o pier do Condominio de Laranjeira, há uma van que te leva até a saída do condomínio, assim você não precisa ficar perambulando entre as mansões. Ainda consegui pegar o ônibus que iria para Paraty.

Meu objetivo é fazer essa trilha com tempo bom e fazer com que ela dure um bom tempo porque quero conhecer todas as pedras e praias do caminho. Vamos nessa?

Pior que nunca terminar uma viagem é nunca partir.

Amyr Klink

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